Presos ao erro!
Nem todos os que estão em uma falsa igreja estão ali por ignorância. Muitos sabem. Outros sabem o suficiente para desconfiar. Alguns até estudam a Bíblia, ainda que minimamente, e percebem que algo não está certo. Ainda assim, permanecem.
(João 3:19–20; Romanos 1:18)
A pergunta não é apenas por que existem falsas igrejas, mas por que tantas pessoas escolhem ficar nelas.
(2 Timóteo 4:3–4)
O que prende essas pessoas, na maioria das vezes, não é a verdade, mas o emocional e o mental. Elas criam vínculos profundos com o ambiente, com as pessoas, com a rotina. Passam a amar o lugar, o sentimento de pertencimento, o status de “fazer parte”. O apego emocional se torna mais forte do que o compromisso com as Escrituras. E, pouco a pouco, a verdade passa a ser relativizada para que o conforto seja preservado.
(Provérbios 29:25; Colossenses 2:8)
Há também aqueles que permanecem por tradição. Seguem o mesmo caminho dos pais, dos avós, da família inteira. Nunca pararam para examinar se aquilo que herdaram é, de fato, bíblico. Esquecem que a fé não é hereditária, e que cada geração é chamada a examinar tudo à luz da Palavra. Tradição nunca foi critério de verdade.
(Mateus 15:3, 6; Ezequiel 18:20; Atos 17:11)
Outros vivem em uma cegueira espiritual produzida pelo próprio sistema religioso. Foram ensinados a não questionar a liderança, a não “tocar no ungido”, como se líderes estivessem acima de qualquer exame bíblico. No entanto, essa ideia não é bíblica. A Escritura manda provar os espíritos, examinar os ensinos e julgar tudo segundo a Palavra. Nenhum líder possui imunidade espiritual. Quando questionar vira pecado, o erro passa a reinar sem resistência.
(1 João 4:1; Atos 17:11; 1 Tessalonicenses 5:21; Gálatas 1:8–9)
Muitos são mantidos nesses lugares pelo medo, especialmente através da falsa doutrina da chamada “cobertura espiritual”. São ensinados a acreditar que, fora daquela instituição ou liderança, não há proteção, não há cuidado de Deus e nem salvação. Mas essa ideia não existe na Bíblia. A única cobertura espiritual do cristão é Cristo. Ele é o único mediador entre Deus e os homens. Nenhum pastor, falso apóstolo ou igreja local pode ocupar esse lugar. Esse tipo de ensino gera dependência, não fé; medo, não confiança em Deus.
(1 Timóteo 2:5; Colossenses 2:18–19; Hebreus 7:25; João 10:27–29)
Há ainda os que permanecem por orgulho. Sabem que estão em um lugar errado, reconhecem os desvios, mas não admitem isso nem para si mesmos. Sair significaria reconhecer que estiveram enganados, que defenderam o erro, que fecharam os olhos para a verdade. E por orgulho preferem permanecer no erro a se humilhar diante da verdade.
(Provérbios 16:18; João 12:42–43; Tiago 4:6)
Muitos se tornam reféns do emocionalismo, confundindo arrepio com a presença de Deus, lágrimas com arrependimento, intensidade com verdade. Mas sentimentos não são parâmetro de espiritualidade. Emoção não é evidência de aprovação divina. A fé cristã é fundamentada na Palavra, não em sensações. O coração humano é enganoso, e quando ele se torna o critério, o engano é inevitável.
(Jeremias 17:9; Romanos 10:17; Colossenses 2:23)
Outros permanecem porque foram convencidos de que aquele lugar é uma “família”. E embora a igreja seja, de fato, um corpo, muitas dessas estruturas usam essa linguagem para criar dependência emocional. O amor e o cuidado passam a ser condicionados à submissão irrestrita e à permanência no sistema. Buscam isolar o indivíduo para que ele sirva apenas aos propósitos do grupo. Quando alguém decide sair, descobre que o amor era institucional, não cristão.
(João 13:34–35; 1 Coríntios 13:1–3; Miquéias 6:8; Gálatas 4:17)
Ali, naquele ambiente, encontram exatamente as palavras que querem ouvir. Mensagens que não confrontam o pecado, não chamam ao arrependimento, não exaltam a soberania de Deus. Cumpre-se o que a Escritura já advertia: por não suportarem a sã doutrina, as pessoas buscam mestres que falem o que agrada aos seus ouvidos. Onde os profetas profetizam falsamente, o povo muitas vezes acaba amando o engano.
(2 Timóteo 4:3–4; Isaías 30:10; Gálatas 1:10; Jeremias 5:30-31)
Infelizmente, poucas pessoas saem de falsas igrejas. As que saem, geralmente, têm algo em comum: começam a estudar a Bíblia com seriedade. Passam a enxergá-la não como um livro inspirador entre outros, mas como a única regra de fé e prática. E, diante disso, não conseguem mais permanecer em um lugar que distorce o evangelho.
(Salmo 119:105; João 8:31–32; 2 Timóteo 3:16–17)
Muitos, porém, leem a Bíblia apenas de forma superficial, como um texto religioso, e não como autoridade suprema. Por isso, os erros passam despercebidos. Outros até enxergam os erros, mas, por comodismo, permanecem onde estão, preferindo o conforto da mentira ao custo da verdade.
(Oséias 4:6; João 5:39–40; Provérbios 1:32)
No fim, a pergunta que cada um precisa responder não é:
“Como me sinto nesse lugar?”
mas:
“Isso que eu creio, sigo e pratico está de acordo com as Escrituras?”
(Isaías 8:20; João 17:17)
Porque a verdade liberta — mesmo quando dói.
(João 8:32)
E o verdadeiro evangelho nunca prometeu conforto, mas fidelidade a Cristo.
(Lucas 9:23; 2 Timóteo 3:12)
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