Em plena reta de eleições, uma pregação feita em um congresso da Assembleia de Deus voltou a circular nas redes. A conferencista e escritora Michelle Tito fez um alerta direto aos líderes religiosos durante o 22º Congresso de Mulheres da Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Abreu e Lima (IEADALPE), em Pernambuco, realizado em julho.
No trecho mais compartilhado, ela afirmou que haverá prestação de contas diante de Deus para pastores que, em ano eleitoral, usam a autoridade espiritual para influenciar o voto dos membros. Segundo a pregadora, há líderes “usando a cabeça das ovelhas como cabo eleitoral”, contratando assessores políticos, vendendo o púlpito por favores e transformando o povo de Deus em massa de manobra.
A fala foi aplaudida por muitos fiéis, que veem com preocupação a transformação de cultos em palanques e a presença cada vez maior de candidatos nos altares. Outros ponderaram que os cristãos têm o direito e o dever de participar da vida pública e de votar de acordo com seus valores, e que orientar a igreja sobre princípios não é o mesmo que fazer campanha.
O alerta ganha ainda mais peso neste mês, com o país em período eleitoral e a legislação proibindo propaganda política em templos.
Para a tradição assembleiana, que sempre ensinou a separação entre o sagrado e o profano, a pergunta lançada por Michelle Tito incomoda e é necessária: o altar está sendo preservado para Deus ou cedido ao mundo da política?
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