NÃO EXISTE CULTO DE LIBERTAÇÃO!
Antes de perguntarmos qual é o tema do culto, precisamos fazer uma pergunta muito mais importante: o que é um culto?
Biblicamente, culto é a reunião do povo de Deus para adorá-Lo, glorificá-Lo, ouvir Sua Palavra, oferecer-Lhe louvores, orações, ações de graças e prestar-Lhe toda honra que somente Ele merece. O culto não existe para satisfazer o homem. O culto existe para glorificar a Deus.
"Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a Ele darás culto." (Mateus 4:10).
Por isso, o verdadeiro culto é teocêntrico, porque Deus é o centro de tudo. Ao mesmo tempo, ele é cristocêntrico, pois toda a adoração converge para Cristo, o único Mediador entre Deus e os homens (1 Timóteo 2:5; Colossenses 1:18).
A Bíblia, que é a única regra infalível de fé e prática do cristão (Sola Scriptura), também é a única autoridade capaz de regular o culto. Deus não deixou ao homem a liberdade de inventar a maneira como deseja ser adorado. Pelo contrário, foi o próprio Deus quem revelou, nas Escrituras, os princípios que devem governar o culto cristão (Deuteronômio 12:32; João 4:23-24).
Quando observamos o Novo Testamento, encontramos um culto simples, porém profundamente rico. A Igreja reunia-se para a leitura e exposição da Palavra, oração, cânticos, comunhão, celebração da Ceia do Senhor e ofertas voluntárias. Tudo apontava para Deus, e não para o homem (Atos 2:42; 1 Timóteo 4:13; 2 Timóteo 4:2).
Entretanto, muitas igrejas abandonaram esse padrão bíblico e passaram a organizar reuniões definidas pelas necessidades humanas. Surgiram os chamados cultos de libertação, de cura interior, dos empresários, da prosperidade e tantos outros.
Perceba o problema.
Quando uma reunião recebe um nome baseado na necessidade do homem, ela já revela qual é o seu foco. O centro deixa de ser Deus e passa a ser aquilo que o homem deseja receber.
Esse é o retrato do antropocentrismo.
No Novo Testamento, porém, jamais encontramos os apóstolos convocando um culto de libertação ou qualquer outra reunião temática.
Eles simplesmente reuniam a Igreja para adorar a Deus, anunciar Cristo e expor fielmente as Escrituras (Atos 2:42; Atos 20:7; 1 Coríntios 14:26; Colossenses 3:16).
Isso significa que Deus não libertava pessoas?
Claro que libertava.
Isso significa que Deus não curava?
Também curava.
Isso significa que Deus não transformava vidas?
Transformava continuamente.
Mas essas obras eram consequência da soberana ação de Deus por meio da proclamação do Evangelho, e não o motivo pelo qual a reunião era organizada.
Existe ainda outro problema gravíssimo.
Ao marcar um "culto de libertação" para determinado dia e horário, transmite-se a ideia de que o agir extraordinário do Espírito Santo pode ser programado pela agenda humana.
Como se alguém pudesse determinar previamente quando Deus irá agir.
Mas o Espírito Santo não recebe ordens dos homens.
"O vento sopra onde quer..." (João 3:8).
Ele age quando quer, como quer e por meio de quem quer.
Nenhum homem recebeu de Deus uma procuração para marcar dias e horários para a atuação do Espírito Santo.
Os apóstolos nunca anunciaram: "Na sexta-feira haverá culto de libertação."
Eles anunciavam Cristo.
Pregavam o arrependimento.
Expunham as Escrituras.
Chamavam os pecadores à fé.
E Deus, segundo Sua vontade soberana, salvava, libertava, transformava e santificava aqueles que Lhe aprouvesse salvar (Romanos 9:15-16; Efésios 1:11).
Mas por que esse modelo de culto cresce tanto?
Porque ele atende muito mais aos desejos do homem natural do que ao padrão estabelecido por Deus.
Vivemos em uma cultura fascinada pelo espetáculo, pelo misticismo e pelas experiências sensoriais. Em vez de confrontar essa mentalidade com a Palavra de Deus, muitas igrejas resolveram adaptar seus cultos para agradá-la.
Algumas fazem isso criando reuniões temáticas. Outras transformam o culto em um espetáculo de entretenimento, utilizando fumaça, jogos de luz, performances e outros recursos capazes de produzir forte impacto emocional.
Embora pareçam diferentes, ambos os modelos caminham na mesma direção.
Em ambos os casos, Deus deixa de ocupar o centro da reunião, enquanto o homem e suas expectativas passam a determinar a forma do culto.
Em vez de perguntar: "Como Deus deseja ser adorado?", pergunta-se: "O que atrai mais pessoas?"
Assim, o culto deixa de ser moldado pelas Escrituras e passa a ser moldado pelo gosto do público.
Em vez de a Igreja transformar o mundo pela Palavra, o mundo passa a influenciar a maneira como a Igreja cultua.
Enquanto uma igreja fiel oferece aquilo que Deus ordenou, a exposição das Escrituras, o chamado ao arrependimento, a santificação e a centralidade de Cristo, muitas outras oferecem aquilo que o homem deseja consumir: entretenimento, emoções, experiências e promessas de soluções imediatas.
O resultado é uma multidão emocionada, mas nem sempre transformada.
As pessoas aprendem a buscar experiências em vez de santidade, sensações em vez de arrependimento e bênçãos em vez do Deus que abençoa.
As próprias Escrituras já haviam anunciado que isso aconteceria.
Quando Jesus Se revelou como o Pão da Vida, muitos dos que O seguiam apenas pelos benefícios O abandonaram porque não suportaram a verdade (João 6:26, 35, 60-69).
Da mesma forma, Paulo escreveu:
"Pois chegará o tempo em que não suportarão a sã doutrina; ao contrário, segundo os seus próprios desejos, juntarão para si mesmos mestres que lhes digam o que os seus ouvidos, coçando, desejam ouvir." (2 Timóteo 4:3-4).
Infelizmente, esse retrato descreve boa parte do cenário religioso atual.
Quando a prioridade deixa de ser agradar a Deus e passa a ser atrair pessoas, o culto inevitavelmente assume características de mercado.
E qual é o objetivo de uma empresa?
Oferecer aquilo que seus consumidores desejam.
Quanto mais consumidores, maior o crescimento.
A Igreja de Cristo, porém, nunca foi chamada para conquistar consumidores.
Foi chamada para fazer discípulos (Mateus 28:19-20).
Por isso, vale uma reflexão.
Qual tipo de culto costuma atrair multidões?
Aquele que oferece entretenimento, experiências e promessas de soluções imediatas?
Ou aquele que chama o pecador ao arrependimento, à renúncia, à santidade e à obediência à Palavra de Deus?
Qual costuma lotar templos?
Qual gera maior arrecadação?
A resposta revela muito sobre o tipo de mensagem que está sendo anunciada.
A Igreja não foi chamada para inventar novos tipos de culto.
Foi chamada para permanecer firme na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações (Atos 2:42).
Esse continua sendo o padrão das Escrituras.
E esse continuará sendo o único culto que verdadeiramente agrada a Deus.
Sola Scriptura - Solus Christus - Soli Deo Gloria -