O espinho na carne de Paulo é um enigma. Ele é mencionado em 2 Cor 12:7, mas não deixa claro do que se trata.
“Foi-me dado um espinho na carne, um mensageiro de Satanás, para me esbofetear…”
Ao longo da história, surgiram algumas linhas de interpretação:
Para alguns era uma enfermidade física. Um problema nos olhos, com base em Gálatas 4:13–15 e 6:11, onde Paulo fala de letras grandes e do carinho dos irmãos que, se possível, “arrancariam os próprios olhos” por ele. Outras propostas incluem malária, epilepsia ou uma doença crônica. Essa leitura vê o espinho como uma limitação corporal constante.
Outros dizem que era uma oposição persistente que Paulo enfrentava. A expressão “mensageiro de Satanás” pode designar pessoas. O espinho portanto seriam os judaizantes, perseguidores e críticos que o seguiam de cidade em cidade. Não uma dor no corpo, mas uma pressão externa contínua, um inimigo itinerante.
“Mensageiro” poderia também ser uma luta espiritual ou um tormento interior. Algo como uma opressão, uma aflição espiritual intensa. O verbo “esbofetear” sugere algo repetitivo, humilhante, que vem em ondas. O espinho seria invisível, mas profundamente real.
Alguns pais da Igreja, como Jerônimo, e até Lutero, sugeriram que poderia envolver tentações persistentes. Essa visão, porém, é menos consensual.
Por fim, há quem diga que seriam as consequências das perseguições, como cicatrizes e marcas reais no corpo, fruto dos açoites, apedrejamentos e prisões (2 Cor 11). Esse acúmulo de dores nunca o deixariam esquecer o custo da missão.
É certo que o espinho era um contrapeso. Uma arquitetura divina para impedir que o homem que foi ao terceiro céu perdesse os pés na terra.
“...para que não me exaltasse… por causa da grandeza das revelações.”
O silêncio sobre a natureza do espinho é intencional. Se fosse específico demais, poucos se identificariam. Poderiam até construir uma teologia equivocada sobre. Mas, ao deixar aberto, ele se torna um espelho onde cada um de nós reconhece o seu próprio espinho. A mensagem do espinho é um lembrete de nossa própria fragilidade.
Então, na prática.
Para Deus manter você humilde, o que é que continuamente lhe espeta?
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