🩸 Eu aprendi isso observando injustiças repetidas, não em livros, mas na vida real. Situações em que o erro era claro, o dano era visível, mas a decisão sempre favorecia quem sabia intimidar, manipular ou impor medo. O lobo fazia barulho, ameaçava, criava tensão. As ovelhas apenas suportavam, acreditando que o silêncio seria recompensado com justiça.
Vi pessoas corretas pagarem o preço da omissão alheia. Trabalhadores sendo esmagados para que um abusador fosse mantido. Famílias desfeitas porque alguém preferiu preservar a falsa paz a enfrentar o verdadeiro problema. Instituições que se diziam justas, mas escolhiam o caminho mais confortável, proteger quem causa dano e exigir resiliência de quem já estava ferido.
A injustiça quase nunca nasce do caos. Ela nasce da covardia travestida de prudência. Poupar o lobo é mais fácil do que assumir o custo de enfrentá-lo. Exige menos coragem, menos desgaste, menos responsabilidade. O problema é que essa escolha sempre cobra seu preço, e ele não recai sobre quem decidiu, mas sobre quem não tinha poder para se defender.
Com o tempo, as ovelhas aprendem uma lição amarga. Entendem que esperar proteção de quem se recusa a agir é uma forma lenta de autossabotagem. Algumas se calam para sobreviver. Outras endurecem. Outras deixam o campo. O lobo, fortalecido pela impunidade, aprende que pode avançar ainda mais.
Justiça não é neutralidade diante do erro. Justiça é ação diante do abuso. Quando se poupa quem fere, ensina-se que ferir compensa. Quando se sacrifica quem suporta, ensina-se que ser correto é perigoso. E uma sociedade que normaliza isso não falha por falta de regras, falha por falta de coragem.
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